O sistema de reconhecimento facial nas ruas da Bahia colocou fim a uma fuga que já durava mais de duas décadas. O empresário paulista Sérgio Nahas, de 61 anos, foi preso em uma pousada na Praia do Forte, na Mata de São João, região turística do litoral do estado, após ser identificado pelas câmaras da Secretaria de Segurança Pública do estado.
Condenado pelo assassinato da esposa, Fernanda Orfali, ocorrido em 2002, Nahas era considerado foragido desde que os recursos judiciais se esgotaram nas instâncias superiores. O local da prisão é o mesmo que o casal passou a lua de mel antes do assassinato.
De acordo com a Polícia Militar, com o empresário os agentes encontraram 13 pinos de cocaína, três celulares, um carro modelo Audi, cartões de crédito e medicamentos de uso contínuo.
O crime, que chocou São Paulo há 23 anos, aconteceu no apartamento do casal, no bairro Higienópolis. Na época, Nahas tentou sustentar a versão de que Fernanda teria cometido suicídio no closet do quarto devido a um quadro depressivo.
No entanto, a perícia derrubou a tese do empresário, apontando que a vítima foi morta com um tiro no peito disparado por uma arma sem registro pertencente ao marido. As investigações revelaram que o motivo do crime seria o medo de uma partilha de bens, já que Fernanda teria descoberto que o empresário era usuário de drogas e mantinha relações extraconjugais.
A captura só foi possível graças à rede de monitoramento baiana, que conta com câmeras inteligentes espalhadas por mais de 80 cidades. O sistema funciona analisando rostos em tempo real e cruzando os dados biométricos com o Banco Nacional de Monitoramento de Prisões. Assim que Nahas passou por uma das lentes na região turística, o software detectou uma correspondência de alta precisão com sua foto de procurado, emitindo um alerta imediato para a Polícia Militar.
Após 16 anos de espera pelo Tribunal do Júri e diversas manobras jurídicas que prolongaram sua liberdade, o empresário agora deve cumprir a pena de 8 anos e 2 meses de prisão em regime fechado. O caso reforça a eficácia da tecnologia de reconhecimento facial em grandes eventos e áreas de alto fluxo, transformando locais públicos em barreiras digitais contra criminosos que tentam recomeçar a vida sob o anonimato.
O crime
O crime aconteceu em 2002, no apartamento do casal, em São Paulo. Na época, Fernanda Orfali tinha 28 anos. Segundo o Ministério Público, Nahas matou Fernanda após se sentir ameaçado ao ser confrontado pela esposa, que teria descoberto traições e o uso de drogas, e temia a divisão dos bens caso a mulher pedisse o divórcio.
Para o Ministério Público, Fernanda se trancou no closet para tentar se proteger, mas Nahas teria arrombado a porta. Em seguida, ele teria feito dois disparos. Laudo oficial da perícia apontou que o primeiro tiro atingiu a vítima e o segundo saiu pela janela.
Fernanda fazia tratamento contra depressão. De acordo com a defesa de Nahas, diários escritos pela própria vítima indicavam que ela tinha o desejo de tirar a própria vida. Contudo, o laudo da Polícia Técnico-Científica não encontrou vestígios de pólvora nas mãos de Fernanda. Quanto a isso, a defesa do empresário alegou que a pistola usada só deixa resíduos na roupa.
Nahas chegou a ser preso por porte ilegal da pistola, mas foi solto por decisão da Justiça após 37 dias.