“A gente pede desculpas por estar apanhando”. Essa foi a frase que Vivian Oliveira usou para tentar resumir o que viveu em duas penitenciárias dos Estados Unidos entre agosto de 2024 e abril de 2025.
Ela foi presa enquanto atualizava documentos para permanecer no país e só recuperou a liberdade após ser deportada. Durante os 213 dias de detenção, afirma ter presenciado e sofrido uma série de violências, denunciadas em um vídeo que viralizou nas redes sociais.
Estou aqui como uma pessoa que passou 213 dias presa sem ter cometido crime algum. Porque migrar não é um crime, migrar é um direito humano. Durante 213 dias, o meu nome se tornou um número”, disse. “Eu vi muitas mulheres sendo abusadas, inclusive eu.
O depoimento foi dado durante audiência pública na Câmara Municipal de Governador Valadares, no dia 12 de março, convocada para debater migração por iniciativa da vereadora Sandra Perpétuo.
Vivian relatou que dividia cela com 59 mulheres de diferentes nacionalidades, incluindo russas, ucranianas, iranianas e brasileiras. Segundo ela, as detentas enfrentavam privação de sono, falta de medicamentos, sedação forçada, negligência médica e ausência de acesso à água potável.
De volta ao Brasil, ela afirma ter recuperado parte da dignidade ao ser recebida por agentes da Polícia Federal em Natal. “Os policiais falaram comigo que eu não deveria baixar minha cabeça, que tudo que aconteceu comigo foi errado, sim, que foi um erro gravíssimo. E eu nunca mais abaixei minha cabeça”, contou.
Entre os relatos mais graves, Vivian descreveu agressões físicas contra detentas, abusos sexuais por parte de agentes e condições degradantes de encarceramento. Em um dos episódios, afirmou ter sido mantida nua por sete dias em uma cela de vidro como forma de punição.
A brasileira também denunciou a falta de assistência médica, citando o caso de uma detenta russa com câncer que teria sido deportada em estado terminal, sem receber tratamento adequado.
Natural de Governador Valadares, Vivian viajou inicialmente aos Estados Unidos como turista, com o objetivo de trabalhar e custear uma faculdade no Brasil. Após retornar ao país para dar continuidade ao processo de legalização, acabou detida durante a triagem migratória.
Atualmente, ela mantém contato com ex-companheiras de cela e afirma que o grupo pretende denunciar internacionalmente os abusos vividos no sistema prisional norte-americano.
O caso ganhou repercussão após o vídeo do depoimento viralizar. A então ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, classificou como criminosa a política migratória adotada durante o governo de Donald Trump, destacando que trabalhadores e migrantes acabam sendo tratados como criminosos.
A audiência em Governador Valadares faz parte de uma mobilização maior sobre direitos de migrantes. Um novo debate sobre o tema está previsto para ocorrer na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, com a participação de Vivian.
Fonte: ICL NOTÍCIA
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