Brasil

ATAQUE TRANSFÓBICO

'Eu vi a morte de perto', diz mulher trans torturada e marcada com símbolo nazista

A mulher de 29 anos denunciou ter sido vítima de tortura extrema no Mato Grosso do Sul, após cair em uma emboscada do próprio namorado e um casal

Da Redação

Quarta - 18/03/2026 às 09:42



Foto: TV Morena Mulher teve o símbolo nazista marcado com faca quente
Mulher teve o símbolo nazista marcado com faca quente

Uma mulher trans de 29 anos denunciou ter sido vítima de tortura extrema em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, após cair em uma emboscada envolvendo o próprio namorado e um casal para quem trabalhava.

Segundo a vítima, ela foi chamada até a casa dos suspeitos sob a justificativa de receber um pagamento por serviços prestados. Ao chegar ao local, foi levada até um cômodo onde acabou rendida e passou a ser violentamente agredida com socos, chutes e objetos como taco de sinuca e cabo de vassoura. Durante as agressões, os suspeitos teriam utilizado uma faca aquecida para marcar o braço dela com uma suástica, símbolo associado ao nazismo.

A mulher relatou ainda que foi ameaçada de morte e impedida de pedir socorro, já que teve o celular destruído. Em depoimento, descreveu momentos de extremo terror e afirmou que acreditou que seria morta.

Eles deram vários socos na minha cara, cotovelada, joelhada, murro no meu estômago, me bateram com um taco de sinuca, me bateram com um cabo de vassoura, apoiaram uma faca no meu pescoço [...] eu vi tipo um anjo branco na minha frente e falei, é agora que eu vou morrer.

Entre os presos estão o namorado da vítima, Leonardo Duartes, de 22 anos, além do casal para quem ela trabalhava: Jackson Tadeu Vieira, de 38 anos, e Laysa Carla Leite Machinsky, de 25.

De acordo com o relato, no dia do crime a vítima havia reatado o relacionamento com o namorado quando recebeu uma ligação da patroa pedindo que fosse até o imóvel para receber o pagamento pessoalmente. Ao chegar, foi conduzida até um escritório, onde encontrou o namorado e Jackson. No local, um frasco com um conteúdo semelhante a sangue teria sido apresentado a ela, com a ordem de cheirar e enterrar o material. Ao se recusar, passou a ser ameaçada.

Quando eu entrei no escritório meu namorado estava com uma fita na mão, daquelas de luta e perguntou se eu queria morrer em pé ou deitada.

Após o ataque, ela foi liberada pelo próprio patrão, sob ameaça de morte caso denunciasse o caso. Mesmo ferida, conseguiu buscar atendimento médico e apresentava lesões na cabeça, nos olhos e pelo corpo. A vítima deve passar por pelo menos três cirurgias, incluindo um procedimento para remoção da pele atingida pela queimadura.

Em depoimento à polícia, Jackson afirmou que o material encontrado seria um suposto coágulo relacionado a um aborto de sua esposa. Ele alegou ainda que havia pago antecipadamente por um serviço que não foi realizado pela vítima, o que teria gerado uma discussão. Segundo sua versão, a briga começou entre a mulher e o namorado, e o casal teria apenas tentado intervir.

O suspeito não explicou a queimadura com o símbolo no braço da vítima.

O caso é investigado pela Polícia Civil como tortura e lesão corporal. A brutalidade do crime e o uso de simbologia nazista aumentam a gravidade do episódio, que segue sob apuração.

Fonte: G1

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