A trajetória da ex-deputada federal Margarete Coelho pode virar um estudo de caso sobre lealdade política e estratégia partidária no Piauí. A advogada brilhante, que fez história ao se tornar a primeira mulher eleita vice-governadora do estado em 2014, na chapa do petista Wellington Dias, vive hoje o revés de ter trocado de lado. Depois de acumular vitórias eleitorais quando esteve ao lado do PT, Margarete viu sua sorte mudar ao seguir cegamente o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas (PP).
Um capítulo exemplar dessa novela foi escrito em 2022, quando Ciro Nogueira, fiel escudeiro de Jair Bolsonaro, preteriu Margarete para uma vaga na Câmara Federal, optando por apoiar o amigo Júlio Arcoverde, que acabou eleito. Agora, em 2026, a história se repete: Margarete tentava se viabilizar como pré-candidata ao Governo do Estado pelo PP, mas novamente acabou sendo trocada no meio da corrida pelo ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues.
Margarete não admite o desgaste político na sua relação com Ciro Nogueira. Mas os fatos falam por si. O desgaste é tão grande que não se sabe se a ex-deputada sequer disputará algum cargo em 2026, o que mostra a falta de rumo de uma política que já foi considerada o maior nome feminino da oposição estadual.
Os números não mentem: Margarete Coelho só perdeu eleição quando virou as costas aos petistas. Em 2010, estreou na política elegendo-se deputada estadual. Em 2014, foi vice-governadora na chapa de Wellington Dias. Em 2018, conquistou uma cadeira de deputada federal. Todas as vezes em aliança com o PT.
A virada ocorreu quando decidiu "virar as costas" para o PT e se consolidar nos quadros do PP. Em 2022, tentou a reeleição e ficou de fora. Ciro Nogueira preferiu eleger Júlio Arcoverde.
O mais recente capítulo dessa novela, ocorreu nesta segunda-feira (16/03). Margarete estava embarcando para uma viagem oficial à Índia e não participou da live em que Ciro Nogueira anunciou o ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues, como candidato do PP para enfrentar Rafael Fonteles na disputa pelo Governo do Estado do Piauí em 2026.
Margarete foi a pré-candidata a governadora até bem pouco tempo. Em várias entrevistas, o agora pré-candidato do PP a governador, Joel Rodrigues, fazia questão de dizer que a candidatura dela era "prego batido e ponta virada" no partido. Ciro Nogueira também declarou diversas vezes que Margarete era o nome da oposição para 2026. Mas não foi o que o senador disse na live desta segunda-feira (16). Embora digam que tudo foi combinado com ela.
Atualmente diretora nacional de Administração e Finanças do Sebrae, Margarete tenta usar a vitrine institucional para alavancar o nome. Em novembro de 2025, esteve na COP30 representando a entidade. Mas a exposição positiva não esconde o fato de que ela não tem mandato e depende da boa vontade de um partido que já a deixou na berlinda duas vezes.
A ironia da história política de Margarete Coelho é que ela só foi imbatível quando esteve ao lado de quem hoje tem como seu principal adversário. Ao trocar o certo pelo duvidoso, trocou também a certeza do mandato pela incerteza das alianças frágeis. Em 2026, o Piauí verá se essa é uma sina sem volta ou se, contra todos os prognósticos, a ex-vice-governadora conseguirá reescrever sua trajetória política.
Margarete Coelho com Wellington Dias: muito momentos felizes com os petistas
Luiz Brandão
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