O Ministério da Saúde reuniu, nesta quinta-feira (5), cerca de 25 profissionais da saúde mental e produtores de conteúdo digital para dar início à elaboração de um manual de boas práticas voltado à comunicação sobre saúde mental na internet brasileira. A proposta é construir, ao longo dos próximos meses, diretrizes que orientem a produção de conteúdos responsáveis, alinhados aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e à complexidade social, cultural e política que atravessa o sofrimento psíquico.
A iniciativa parte do reconhecimento de que a discussão sobre saúde mental nas redes sociais vai além da divulgação de diagnósticos ou da promoção de terapias individuais. O grupo defende uma abordagem ampliada, que considere fatores estruturais — como desigualdades sociais, racismo, gênero, trabalho e condições de vida — na origem e na manutenção dos sofrimentos humanos.
Entre os participantes estão psicólogos, pesquisadores, comunicadores e influenciadores que atuam na divulgação científica e crítica sobre saúde mental.
Um dos nomes presentes foi Flávia Albuquerque, psicóloga formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e mestra em Psicologia e Educação. À frente do perfil Despatologiza, Flávia produz conteúdos voltados à crítica da patologização da vida cotidiana e da educação, com base na Psicologia Histórico-Cultural, articulando pesquisa acadêmica e comunicação nas redes sociais.
O encontro também contou com a participação de Christian Dunker, professor titular de Psicanálise e Psicopatologia no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Psicanalista, mestre, doutor e escritor, Dunker é referência no debate público sobre sofrimento psíquico, linguagem e clínica contemporânea, além de atuar na divulgação de reflexões sobre saúde mental em diferentes espaços, incluindo as redes sociais.

Além de Jeane Tavares, conhecida digitalmente como Saudementalpopnegra. Psicóloga graudada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestra em Saúde Comunitária e doutora e pós-doutora em Saúde Pública. Professora da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), Jeane atua na produção de conteúdos e podcasts sobre saúde mental, com foco nas especificidades da população negra, temática que também orienta sua atuação nas redes sociais.
Além deles, o encontro contou ainda com a presença de outros profissionais e criadores de conteúdo que atuam na interface entre saúde mental, educação e comunicação digital, como Késia Rodrigues (@muitoalemdaterapia), Matheus Sodré (@sodremat), Felipe José Santaella (@felipejosesantaella), Anaterra Oliveira (@anaterra.oli), Maria Clara Silveira (@psiqclara), Karen Scavacini (@karensca) e Alexandre Coimbra (@alexandrecoimbraamaral), ampliando a diversidade de perspectivas reunidas para a discussão.
A expectativa é que o documento final sirva como referência tanto para profissionais da saúde quanto para produtores de conteúdo, influenciadores e comunicadores que abordam saúde mental em ambientes digitais. A iniciativa ocorre em um contexto de crescente circulação de informações sobre sofrimento psíquico nas redes, nem sempre acompanhadas de critérios técnicos, responsabilidade ética ou contextualização social.
O manual ainda está em fase inicial de elaboração e deve passar por debates internos antes de sua finalização. Segundo os organizadores, o objetivo é que o material contribua para qualificar o debate público sobre saúde mental no Brasil, reforçando o papel da comunicação como ferramenta de cuidado, educação e promoção de direitos.