
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece como favorito em todos os cenários de primeiro turno testados pelo Instituto Datafolha para a eleição presidencial de 2026, segundo pesquisa divulgada neste sábado (5) pela Folha de S. Paulo.
Ele lidera inclusive em uma eventual disputa direta com Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível. A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 3 de abril, com 3.054 entrevistas em 172 municípios, e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Segundo o levantamento, Lula mantém a dianteira com 35% das intenções de voto. Em segundo lugar, aparecem empatados tecnicamente Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 15%, e Ciro Gomes (PDT) e Pablo Marçal (PRTB), ambos com 11%. Ratinho Junior (PSD), Zema (Novo) e Eduardo Leite (PSDB) oscilam entre 3% e 5%. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), único que já anunciou publicamente sua pré-candidatura, pontua apenas 2%.
No cenário simulado com a presença de Bolsonaro, Lula aparece com 36% das intenções de voto, contra 30% do ex-mandatário. Também figuram nesse cenário o ex-governador Ciro Gomes (PDT), com 12%; Pablo Marçal (PRTB), com 7%; e o governador Eduardo Leite (PSDB), com 5%.
O presidente lidera com folga no Nordeste, onde alcança 50% das intenções de voto. Ele também está à frente em praticamente todas as faixas etárias, de renda e de escolaridade. Entre os que avaliam negativamente seu governo, no entanto, o apoio é mínimo: apenas 2% dizem que votariam nele, enquanto Tarcísio recebe o apoio de 29% desse segmento.
Sucessão de Bolsonaro segue indefinida
Sem poder se candidatar, Bolsonaro tem cogitado apoiar sua esposa Michelle ou seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), além de manter o apoio a Tarcísio no governo de São Paulo. O levantamento indica que nenhuma dessas opções consegue unir o eleitorado bolsonarista.
Em um confronto direto com Eduardo Bolsonaro, Lula tem 35% e o deputado, 11%, mesmo patamar de Ciro Gomes. Contra Michelle Bolsonaro, o presidente mantém os 35%, e ela atinge 15%, também empatada tecnicamente com o pedetista. Já em um cenário com Tarcísio e Marçal, Lula amplia sua vantagem e chega a 43%, com o governador marcando 24% e o influenciador digital, 15%.
Bolsonaristas dividem apoio entre Michelle, Eduardo e Tarcísio
Entre os eleitores que se declaram fortemente bolsonaristas, a divisão é clara: 40% votariam em Tarcísio em um cenário sem Michelle ou Eduardo. Se apenas Eduardo disputasse com Lula, ele teria 30% desse eleitorado fiel. No caso de Michelle como única representante bolsonarista, ela receberia 41% dos votos do grupo.
Essa pulverização revela a dificuldade da direita em encontrar um nome de consenso sem a presença direta de Bolsonaro na disputa. Embora nomes como Tarcísio, Ratinho Junior, Zema, Eduardo Leite e Caiado possam concorrer, todos precisariam renunciar até abril de 2026. Entre eles, apenas Tarcísio está em seu primeiro mandato e pode tentar a reeleição.
Apesar de negar publicamente interesse em concorrer, aliados próximos afirmam que Tarcísio considera a possibilidade, sobretudo se houver um apelo direto de Bolsonaro. Já Ratinho conta com o apoio de Gilberto Kassab, presidente do PSD, mas enfrenta um “longo caminho a ser percorrido”, nas palavras do próprio dirigente. Eduardo Leite e Zema, por sua vez, não escondem a disposição de disputar o Planalto.
Desinteresse do eleitor e rejeições elevadas dificultam projeções
O Datafolha identificou ainda que o interesse do eleitor pela próxima eleição presidencial é baixo. Na pesquisa espontânea — quando os nomes dos candidatos não são apresentados —, 52% afirmaram não saber em quem votar. Lula é o mais citado, com 20%, seguido por Bolsonaro, com 14%. Tarcísio e Ciro aparecem com apenas 1% cada.
A rejeição, por outro lado, continua sendo um fator relevante. Lula é rejeitado por 42% dos entrevistados, índice alto, mas inferior ao de Bolsonaro, que atinge 44%. Entre os possíveis herdeiros do bolsonarismo, Tarcísio tem a menor rejeição (13%), enquanto Michelle e Eduardo são rechaçados por 27% e 26%, respectivamente.
O cenário, portanto, revela um favoritismo consolidado de Lula e uma direita em busca de coesão, diante do vácuo deixado por Bolsonaro e das incertezas sobre o futuro eleitoral de seus principais aliados.
Fonte: Brasil 247