A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para investigar a trend “Caso ela diga não”, que ganhou grande repercussão nas redes sociais e incentiva violência contra a mulher.
A investigação foi aberta após diversas denúncias sobre a tendência, que viralizou no TikTok durante o mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher.
A apuração está sendo conduzida pela Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal. O setor já solicitou a derrubada de alguns perfis responsáveis por publicar os conteúdos e a retirada dos vídeos da internet. A plataforma onde o material foi divulgado informou que já realizou a remoção das publicações.
Os vídeos que circulam nas redes sociais e faz parte de uma “trend” criada por homens simulam agressões físicas contra mulheres caso elas recusem um pedido de namoro ou casamento.
Os homens encenam chutes e socos após receberem um “não” da mulher, em tom de suposta brincadeira.
A psicanalista Marcela von Keller comentou o caso em suas redes sociais e alertou para os riscos de normalizar esse tipo de conteúdo.
Quando a internet transforma a violência contra a mulher em trend, ela está treinando duas coisas ao mesmo tempo. A banalização da agressão e a ideia de que o não feminino é uma provocação que merece punição. Vocês conseguem perceber a gravidade disso? Quando milhares de pessoas começam a repetir a mesma piada violenta, a violência começa a parecer normal. Pedido de casamento não é teste, não é armadilha e não compromete a mulher a nenhuma resposta.
A especialista alerta que a disseminação desse tipo de conteúdo pode contribuir para a normalização da violência de gênero e reforçar comportamentos agressivos, mesmo quando apresentados como humor ou encenação.
"Tratar o não da mulher como motivo de ataque, mesmo que em tom de brincadeira, se é que isso é possível, ajuda a alimentar a cultura que depois aparece nas estatísticas de violência. Este tipo de conteúdo precisa ser denunciado e banido das redes sociais antes que mais mulheres paguem o preço", afirmou.
Diante da repercussão, internautas também passaram a pedir que plataformas digitais adotem medidas mais rígidas para remover conteúdos que incentivem ou banalizem a violência contra mulheres.
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