Polícia

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Facções usam redes sociais para disseminar cultura do crime e influenciar jovens

Charles Pessoa diz que toda facção possui uma espécie de legislação própria, com normas que devem ser seguidas rigorosamente.

Por Redação

Quinta - 19/03/2026 às 11:01



Foto: Ascom SSP-PI Criminosos são presos durante operação das polícias Civil e Militar em todo o Piauí
Criminosos são presos durante operação das polícias Civil e Militar em todo o Piauí

À frente das operações policiais de combate ao crime organizado, o delegado Charles Pessoa, do Draco/PI, esclarece alguns dos principais termos utilizados no universo das facções criminosas. Um deles é o chamado “tribunal do crime”, que, segundo ele, trata-se de um julgamento realizado pela própria facção contra integrantes que descumprem regras internas. Ele afirmou que polícia tem investido em ações preventivas, como palestras na rede pública de ensino do Piauí. “As facções têm utilizado as redes sociais para disseminar a cultura do crime, influenciando principalmente os jovens. Nosso papel é mostrar que o crime não compensa e que as consequências são graves”, conclui.

É o julgamento feito pela própria facção criminosa relacionado aos seus membros que descumprem algum item do regramento interno, ou seja, do código de conduta”, explica.

O delegado destaca que toda facção possui uma espécie de legislação própria, com normas que devem ser seguidas rigorosamente. Quando há descumprimento, o integrante é submetido a punições definidas pelos próprios criminosos. “Eles se colocam como se fossem o próprio Estado, aplicando sanções extremamente severas, que podem chegar até a execuções”, observa.

Outro termo comum é “célula de facção criminosa”. De acordo com Charles Pessoa, o conceito se refere a divisões internas dentro da estrutura hierárquica desses grupos. “É como se fossem departamentos dentro da estrutura piramidal da facção”, esclarece.

Delegado Charles Pessoa durante operações policiais. Foto Ascom SSP-PI

Ele ressalta ainda que, atualmente, duas facções possuem atuação nacional e até internacional: o Comando Vermelho, surgido no final da década de 1970 no Rio de Janeiro, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), criado em 1993, em São Paulo. Ambas expandiram suas atividades a partir de 1998. “Tanto o PCC quanto o CV têm ramificações em todas as unidades da federação, inclusive com atuação fora do Brasil”, pontua.

Segundo o delegado, o Piauí tem avançado no enfrentamento a esses grupos com uma metodologia considerada inovadora, baseada em três eixos de atuação. O primeiro deles é a repressão qualificada. “Identificamos indivíduos que integram essas células, tanto na região da Grande Teresina quanto em cidades do interior”, afirma.

Policiais trabalham para desarticular organizações criminosas. Foto: SSP-PI

Ele explica que o trabalho investigativo busca desestruturar toda a organização criminosa. “A gente não combate apenas o indivíduo faccionado, mas a facção como um todo. São operações robustas, com diversas representações judiciais, tanto de busca quanto de prisão, além da atuação para manutenção do encarceramento desses criminosos”, diz.

O segundo eixo é a prevenção. Charles Pessoa destaca que as facções não são movidas apenas por dinheiro, mas também por um sentimento de pertencimento. “Infelizmente, o que tem impulsionado a disseminação dessas organizações são as mensagens compartilhadas entre esses indivíduos”, alerta.

Suspeitos de integrar organizações criminosas são presos durante operação. Foto: SSP-PI

Fonte: SSP-PI

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