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CAÇANDO MOTIVO

EUA alertam que podem lançar ofensiva contra a América Latina, inclusive o Brasil

Autoridades americanas defendem uso de força militar contra cartéis e pedem postura mais dura de países da região

Da Redação

Sexta - 06/03/2026 às 11:21



Foto: Roberto Schmidt/AFP O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Autoridades dos Estados Unidos afirmaram nesta quinta-feira (5), que o país pode lançar uma ofensiva contra organizações criminosas que atuam na América Latina, especialmente cartéis ligados ao tráfico de drogas. O aviso foi feito durante uma conferência de segurança realizada pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que pediu aos países da região que intensifiquem o combate aos narcoterroristas. O encontro ocorreu no Comando Sul dos Estados Unidos, em Miami.

Os Estados Unidos estão preparados para abordar estas ameaças e ir sozinhos para a ofensiva, se necessário. No entanto, é nossa preferência e é a meta desta conferência que, no interesse da vizinhança, façamos tudo junto com vocês, com nossos vizinhos e aliados.

Na solenidade, representantes do governo norte-americano defenderam que os países latino-americanos adotem uma postura mais agressiva no combate ao crime organizado. Segundo autoridades presentes, a estratégia proposta inclui maior cooperação militar, troca de inteligência e operações conjuntas contra grupos envolvidos no tráfico internacional de drogas. 

O governo dos EUA afirmou que o enfrentamento aos cartéis não pode se limitar apenas a ações policiais ou judiciais. Para eles, o uso de recursos militares seria necessário diante da expansão e da violência dessas organizações criminosas, que atuam em diferentes países da região. 

O posicionamento marca uma mudança na abordagem adotada pelos Estados Unidos, que tradicionalmente priorizavam cooperação policial e políticas de combate ao tráfico. A nova estratégia defendida por integrantes do governo americano considera alguns cartéis como ameaças comparáveis a organizações terroristas. Nos últimos meses, os Estados Unidos já ampliaram operações contra o narcotráfico no continente. Um exemplo recente foi o início de ações conjuntas com o Equador contra grupos ligados ao crime organizado, com apoio e treinamento militar norte-americano. 

O comandante Francis Donovan, que atuou na operação em Equador, também comentou sobre a possibilidade de agir sem a permissão dos países latinos, visando o benefício dos Estados Unidos.

Somos seu parceiro principal para trabalhar, junto e através de suas nações, para alcançar objetivos compartilhados, mas quando for necessário não hesitaremos em agir.

Pete Hegseth justificou a postura mais agressiva da Casa Branca ao citar o impacto das drogas nos Estados Unidos. Segundo ele, “mais de um milhão de americanos” morreram por overdose de fentanil, cocaína e outras substâncias durante o governo do democrata Joe Biden (2021–2025).

Apesar do discurso de endurecimento contra países da América Latina, especialistas e analistas apontam que a crise das drogas nos Estados Unidos tem raízes profundas dentro do próprio país. O jornalista e pesquisador do tema Sam Quinones, autor de livros sobre a epidemia de opioides, afirma que o problema está ligado à combinação de dependência química, desigualdade social e à ampla disponibilidade de drogas sintéticas no território americano. Hugo Balta, jornalista e escritor premiado, também argumenta que Washington historicamente tende a culpar países latino-americanos pelo narcotráfico enquanto evita discutir a forte demanda por drogas dentro da própria sociedade americana. Analistas afirmam que essa realidade fica evidente em cidades como Filadélfia e Los Angeles, onde áreas degradadas e marcadas pela dependência química — frequentemente comparadas a “cracolândias” — refletem a dimensão social da crise que o próprio país enfrenta.

A proposta tem gerado críticas de especialistas e autoridades da região. Analistas alertam que a militarização do combate ao crime pode trazer riscos à soberania dos países latino-americanos e aumentar tensões políticas no continente. 

Fonte: Gazeta do Povo

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