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PRIORIDADE

Política nacional de cuidados quer reduzir sobrecarga das mulheres

Em Teresina, ministro Guilherme Boulos detalha plano que reconhece o trabalho de quem cuida e prevê qualificação profissional e geração de renda

Dulce Luz

Sábado - 07/03/2026 às 14:20



Foto: A expectativa é que a política de cuidados tenha impacto direto na vida das mulheres
A expectativa é que a política de cuidados tenha impacto direto na vida das mulheres

A criação de uma política pública voltada ao cuidado de crianças, idosos e pessoas com deficiência passou a ser tratada como prioridade do governo federal. Durante visita a Teresina na última sexta-feira (6), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, destacou que a nova Política Nacional de Cuidados pretende enfrentar uma realidade histórica no país: a sobrecarga que recai principalmente sobre as mulheres responsáveis pelo cuidado dentro das famílias.

“A gestão do tempo, principalmente para as mulheres, é muito difícil. São pessoas que passam praticamente a vida inteira cuidando de uma criança, de uma pessoa com deficiência, de um idoso”, afirmou o ministro. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criou uma área específica para tratar do tema, com uma política instituída em lei e um plano nacional voltado a organizar esse sistema de cuidados no país. A fala foi feita durante entrega da Cuidoteca da Universidade Federal do Piauí.

Boulos destacou a importância da criação de uma política específica para tratar do cuidado

A Política Nacional de Cuidados foi instituída pela Lei nº 15.069, de 2024, e regulamentada pelo Decreto nº 12.562, de 2025. Pela primeira vez, o país passa a ter uma política estruturada para organizar serviços e ações voltados tanto às pessoas que precisam de cuidado quanto àquelas que exercem esse trabalho no dia a dia.

Na prática, o plano prevê a ampliação da oferta de creches públicas, serviços de atendimento domiciliar para idosos e pessoas com deficiência, qualificação profissional de cuidadores e a criação de novos equipamentos públicos, como centros-dia e cuidotecas, espaços voltados ao acolhimento de filhos de estudantes e trabalhadores.

A expectativa é que a política tenha impacto direto na vida das mulheres. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que elas dedicam, em média, 21 horas por semana a tarefas domésticas e ao cuidado de pessoas, quase o dobro das 11 horas gastas pelos homens.

IBGE diz que as mulheres dedicam, em média, 21 horas por semana a tarefas domésticas e ao cuidado de pessoas

Essa diferença influencia diretamente a participação feminina no mercado de trabalho. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada em 2024, a taxa de participação das mulheres na força de trabalho é de cerca de 54%, enquanto entre os homens chega a aproximadamente 73%. Entre as mulheres que estão fora do mercado de trabalho, o principal motivo apontado é justamente a necessidade de cuidar da casa ou de familiares.

 

Investimentos no Piauí

No Piauí, essa realidade também é expressiva. Dados do IBGE indicam que 50,8% dos domicílios do estado são chefiados por mulheres. Muitas dessas famílias são formadas por mães solo, que enfrentam dificuldades para manter um emprego ou concluir os estudos por não terem com quem deixar os filhos.

Durante a visita à capital piauiense, Boulos anunciou uma parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI) e com a Fundação Cultural e de Fomento à Pesquisa, Ensino, Extensão e Inovação (Fadex) para qualificação profissional na área do cuidado. A proposta é formar cuidadores e cuidadoras para atuar com crianças, idosos e pessoas com deficiência, criando oportunidades de trabalho formal em um setor que ainda tem forte presença de informalidade.

Muitas mulheres estão fora do mercado de trabalho para cuidar da casa e da família

Outra frente apresentada foi a integração com o programa Programa Acredita, iniciativa do governo federal voltada à inclusão produtiva e ao acesso ao microcrédito. A ideia é oferecer formação em empreendedorismo e cooperativismo, além de facilitar o acesso a financiamento para pequenos negócios.

Segundo o ministro, a meta é ampliar as oportunidades de geração de renda para famílias atendidas por programas sociais, como o Bolsa Família, criando caminhos para a superação da pobreza.

A escolha do Piauí para apresentar parte dessas iniciativas também está ligada às parcerias locais já em andamento. A UFPI, por exemplo, tem sido apontada como um dos polos estratégicos para formação de profissionais e desenvolvimento de projetos ligados à política de cuidados.

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