Morreu nessa quarta-feira (4), em Teresina, o menino Victor Manoel, de apenas 8 anos, após uma longa e comovente batalha contra a Leucemia Linfoide Aguda (LLA), um tipo agressivo de câncer que afeta a medula óssea e o sangue. A notícia da sua morte devastou familiares, amigos e milhares de pessoas que acompanharam sua luta nas redes sociais.
Natural de Teresina (PI), a criança fazia tratamento em Curitiba (PR). No Instagram, a mãe Ana Paula Mineiro anunciou o falecimento do filho: “Deus recolheu meu filho... Senhor, recebe o Victor em teus braços. Me envolve com tua paz, mesmo no meio da dor. Sustenta meu coração que está em pedaços. Dá força para continuar vivendo. Amém.”
Victor enfrentou desde os 6 anos de idade um tratamento que incluiu longos períodos de internação, quimioterapias intensas, recaídas e inúmeras lutas diárias pela vida. Mesmo diante de tantas dificuldades, ele era descrito por quem o conhecia, e pelas milhares de pessoas que acompanhavam sua história, como um menino alegre, sempre com um sorriso no rosto, lutando com coragem e fé.
Velório e sepultamento
O velório de Victor está acontecendo na casa onde vivia com a família, localizada na Rua Moisés Castelo Branco Filho, nº 4342, bairro Comprida, região do Dirceu II, zona Sudeste de Teresina. A família ainda não informou o local de sepultamento.
A luta pelos tratamentos modernos
Ao longo de sua trajetória, a família enfrentou grandes desafios. Depois receber o diagnóstico de leucemia em junho de 2023, Victor passou por protocolos convencionais de quimioterapia por cerca de dois anos. Quando a doença voltou com força em fevereiro de 2025, os tratamentos tradicionais não foram suficientes para conter a progressão da LLA. Diante desse cenário, as opções de tratamento tornaram-se mais limitadas e complexas:
Transplante de medula óssea
Inicialmente, a família buscou um transplante de medula óssea, procedimento que pode oferecer chances de cura quando o paciente encontra um doador compatível e se mantém estável o suficiente para o procedimento. Porém, o transplante acabou não sendo viável no caso de Victor após exames e tratamento de imunoterapia que não produziram os resultados esperados.
Terapia genética CAR-T Cell
A última esperança foi a terapia CAR-T Cell, uma técnica de imunoterapia inovadora que reprograma geneticamente os próprios linfócitos T do paciente para reconhecer e destruir células cancerígenas, um avanço importante no tratamento de leucemias graves e refratárias aos métodos tradicionais.
Esse tratamento vinha sendo estudado e utilizado em casos selecionados, com resultados promissores em alguns pacientes com cânceres hematológicos, incluindo leucemias resistentes. Estudos recentes no Brasil mostram que terapias CAR-T nacionais tiveram taxas de resposta e remissão mais elevadas do que em tratamentos convencionais, demonstrando o potencial transformador dessa abordagem.
No entanto, a terapia CAR-T não é oferecida de forma ampla no Sistema Único de Saúde (SUS) e não está coberta pela maioria dos planos de saúde. O custo estimado para esse tratamento chega a cerca de R$ 3,5 milhões, o que motivou uma intensa campanha de arrecadação por meio de doações e rifas por parte da família e apoiadores.
Mobilização e esperança da comunidade
Desde que a necessidade do tratamento foi revelada, houve uma grande mobilização online e local para apoiar Victor e sua família em Teresina e além. Redes sociais e grupos de solidariedade compartilharam sua história, e pessoas de todo o país se emocionaram com a determinação e alegria do menino, mesmo em meio à dor. (Piauí Hoje)
Infelizmente, apesar de todos os esforços médicos, da mobilização de familiares e amigos e das campanhas de arrecadação, Victor não resistiu à doença.