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70% dos brasileiros dizem que homens são exigidos demais para apoiar a igualdade feminina

O índice de concordância com essa visão no Brasil ficou bem acima da média global, de 46%

Da Redação

Domingo - 08/03/2026 às 16:21



Foto: 52% dos brasileiros avaliam que a igualdade de direitos entre homens e mulheres
52% dos brasileiros avaliam que a igualdade de direitos entre homens e mulheres "já avançou o suficiente"

Os homens estão sendo exigidos demais para apoiar a igualdade com as mulheres. Essa é a opinião de 70% dos brasileiros que responderam a uma pesquisa que investigou a opinião sobre questões de gênero em 29 países. O índice de concordância com essa visão no Brasil ficou bem acima da média global, de 46%, e foi o mais alto dentre todos os países do levantamento, ao lado da Índia, também com 70%, seguidos por Malásia (68%) e Indonésia (64%).

Mas o Brasil aparece em primeiro no ranking deste ponto porque, entre os brasileiros, o percentual dos que discordam foi de 21%, menor do que entre os 27% registrados entre os indianos. Quando os resultados são separados entre homens e mulheres, há praticamente um empate, com um nível de concordância ligeiramente maior entre as mulheres, de 71%, enquanto 69% dos homens disseram o mesmo.

Ao mesmo tempo, a maioria dos participantes brasileiros da pesquisa (52%) avaliam que a igualdade de direitos entre homens e mulheres "já avançou o suficiente" no país, um aumento de dez pontos percentuais em relação a um levantamento anterior realizado em 2019.

Pesquisa mostra que 38% se identificam como feministas, 30% entre os homens e 47% entre as mulheres

A pesquisa mostra ainda que 43% dos brasileiros acreditam que a promoção da igualdade das mulheres foi tão longe a ponto de homens serem hoje discriminados. Essa opinião é mais comum entre homens (50%), mas uma parcela relevante das mulheres (36%) compartilha dela. Entre os brasileiros, aponta o levantamento, 38% se identificam como feministas, sendo 30% entre os homens e 47% entre as mulheres.

Para Catarina de Almeida Santos, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Diversidade Sexual e de Gênero da Universidade de Brasília (UnB), esses dados ilustram uma reação conservadora ao maior debate sobre igualdade de gênero e dos direitos mulheres no Brasil. "Quanto mais as mulheres abrem a boca, mais tem uma reação mais violenta", diz Santos. "O debate crescer não significa que a gente avançou objetivamente. Você debate mais, mas não significa que na prática a gente fez isso."

Novos valores convivam com estruturas normativas mais antigas, aponta estudo

Beatriz Besen, pesquisadora associada do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, chama atenção para o fato de que o Brasil aparece no levantamento ao lado de Índia, Malásia e Indonésia, países onde as transformações nas relações de gênero foram rápidas e concentradas no tempo, diferentemente de países europeus onde essas mudanças ocorreram de forma mais gradual ao longo do século 20. "Isso faz com que novos valores convivam com estruturas normativas mais antigas", diz Besen.

"Discursos que afirmam uma assimetria ou injustiça dirigida aos homens tendem a encontrar maior ressonância social." Para a pesquisadora Letícia Oliveira, que estuda o conservadorismo no Brasil, o empate entre homens e mulheres no Brasil reflete a penetração de um discurso antifeminista que não chegou só pelos homens. "A gente teve, ao mesmo tempo, o discurso misógino voltado para homens e o discurso antifeminista voltado para as mulheres", diz Oliveira.

Fonte: BBC Brasil

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