Garantir que estudantes consigam permanecer na universidade até a conclusão do curso ainda é um dos grandes desafios do ensino superior público no Brasil. A avaliação foi destacada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, durante a inauguração da Cuidoteca da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina. Segundo o ministro, nas últimas décadas houve uma mudança importante no perfil de quem ingressa nas universidades públicas brasileiras, resultado de políticas de ampliação do acesso ao ensino superior. No entanto, ele ressaltou que ainda é necessário avançar em políticas que garantam a permanência desses estudantes até a formatura.
De acordo com Boulos, a diferença entre o número de estudantes que ingressam e os que concluem a graduação está relacionada, em grande parte, às dificuldades enfrentadas ao longo da trajetória acadêmica, especialmente por alunos em situação de vulnerabilidade social. “Por mais que a gente tenha democratizado a porta de entrada, ainda falta garantir todas as condições para que esses jovens consigam cursar até o final. A cuidoteca é parte disso”, afirmou.
A Cuidoteca inaugurada na UFPI é a segunda do país e faz parte do Plano Nacional de Cuidados, chamado Brasil que Cuida, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O espaço foi criado para apoiar estudantes e servidores que têm filhos e precisam conciliar os estudos com as responsabilidades de cuidado. Instalada no Centro de Ciências da Educação da universidade, a estrutura atenderá crianças de 3 a 12 anos, oferecendo atividades de lazer, brincadeiras e jogos educativos. O serviço funcionará no período noturno, das 18h às 22h, horário em que muitos estudantes frequentam aulas. Inicialmente, serão oferecidas 40 vagas, mas há perspectivas de aumento, incluindo os campi de Bom Jesus, Picos e Floriano.
Para o ministro Guilherme Boulos, políticas de permanência estudantil são fundamentais para consolidar os avanços obtidos na democratização do acesso ao ensino superior. Ele citou iniciativas como moradia estudantil, restaurantes universitários, bolsas de permanência e espaços de cuidado infantil como instrumentos essenciais para reduzir a evasão.
Um dos públicos mais beneficiados por esse tipo de iniciativa são as mães universitárias, sobretudo aquelas que criam os filhos sozinhas. Segundo o ministro, muitas estudantes entram na universidade, mas enfrentam dificuldades para continuar frequentando as aulas por não terem com quem deixar os filhos.
“Uma mãe solo que vem para a universidade com sua filha, se não houver uma cuidoteca, pode estar na fotografia de entrada, mas não estará na fotografia do diploma”, afirmou. “Para garantir que ela esteja na fotografia da formatura, é importante que existam espaços como esse.”
Presente no evento, o ministro Wellington Dias ressaltou que a Universidade Federal do Piauí inaugura um momento novo na região Nrdeste com uma cuidoteca. "Destacamos esse detalhe do horário noturno, que era o ponto mais difícil. Mas além disso, também temos parceria com a própria universidade, com a Fadex para qualificar cuidadores e cuidadoras, profissionais do cuidado cada vez mais preparados", ressaltou.
Durante a cerimônia de inauguração, a reitora da UFPI, Nadir Nogueira, destacou que a proposta não é funcionar como uma creche tradicional, mas oferecer um espaço acolhedor onde as crianças possam permanecer enquanto os pais participam das atividades acadêmicas. “É um espaço onde estudantes, homens e mulheres, que tenham filhos, podem deixá-los em um ambiente seguro, com monitores, professores e infraestrutura adequada para o desenvolvimento das crianças”, explicou, ressaltando que as usuárias precisam comprovar que estão em sala de aula.
A criação das cuidotecas está prevista na Política Nacional de Cuidado, instituída pela Lei nº 15.069 de 2024 e regulamentada por decreto federal em 2025. A política busca organizar uma rede de apoio que envolva Estado, famílias e sociedade no cuidado com crianças, idosos e pessoas com deficiência.
Especialistas apontam que medidas desse tipo ajudam a reduzir desigualdades no acesso e na permanência no ensino superior. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que estudantes de baixa renda ainda enfrentam maiores dificuldades para concluir a graduação, especialmente quando acumulam responsabilidades familiares e trabalho.
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