Brasil

UNIDADES ESPECIALIZADAS

Violência contra mulheres atinge quase meio milhão de ocorrências no Brasil

Piauí concentra apenas 16 unidades e enfrenta desafios no atendimento 24 horas e no encaminhamento de agressores

Da Redação

Domingo - 01/02/2026 às 11:24



Foto: Anderson Albuquerque Violência contra mulher
Violência contra mulher

O Brasil registrou cerca de 473.581 casos de violência contra a mulher, sendo mais de sete mil ocorrências apenas no Piauí, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Para enfrentar essa realidade, o Brasil conta hoje com 535 unidades especializadas no atendimento a mulheres vítimas de violência. Embora a existência dessas unidades represente um avanço institucional, a diferença entre o alto número de casos e a limitada estrutura disponível evidencia desigualdades profundas na distribuição e na capacidade de atendimento entre os estados.

Um recorte nacional mostra que a maioria dessas unidades atua principalmente em casos de violência doméstica e familiar, seguidos por crimes sexuais e feminicídio. Já quando o foco se volta para o Piauí, os dados escancaram um cenário mais restrito, tanto em quantidade de unidades quanto na capacidade de atendimento contínuo e integrado.

Atendimento especializado cresce, mas não alcança todas

No panorama nacional, o país registra 519 delegacias especializadas, além de postos de atendimento, núcleos integrados e uma unidade online. Ao todo, essas estruturas somam mais de 4,5 mil profissionais, entre delegados, agentes, escrivães, psicólogos e assistentes sociais.

Mesmo assim, apenas 97 unidades funcionam com atendimento 24 horas, enquanto 405 não oferecem serviço ininterrupto. Em um país onde a violência contra a mulher ocorre, majoritariamente, dentro de casa e fora do horário comercial, essa limitação se traduz em barreiras reais ao acesso à proteção.

Unidades Especializadas no Brasil vs Unidades Especializadas no Piauí.  Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

Piauí: poucos equipamentos e atendimento limitado

No Piauí, o cenário é mais enxuto. O estado possui 16 delegacias especializadas, todas classificadas como delegacias tradicionais — sem postos avançados, núcleos integrados ou atendimento online.

Dessas unidades:

  • Apenas 5 funcionam 24 horas

  • 10 não oferecem atendimento contínuo

  • não informou o horário de funcionamento

O efetivo total também é reduzido: são 41 agentes, 15 delegados e 11 escrivães, além de apenas 2 psicólogos e 5 assistentes sociais para todo o estado. Especialistas apontam que a escassez de profissionais multidisciplinares compromete o atendimento humanizado e o acompanhamento das vítimas ao longo do processo.

Ocorrências: ameaças lideram os registros

No Brasil, as delegacias especializadas registraram mais de 554 mil boletins de ocorrência, com destaque para:

  • Ameaça (170.984)

  • Lesão corporal (103.879)

  • Injúria (78.538)

  • Perseguição (27.454)

No Piauí, foram 6.957 registros, e o padrão se repete:

  • Ameaça (2.914)

  • Injúria (1.770)

  • Lesão corporal (922)

  • Violência psicológica (331)

Atendimentos no Brasil vs Atendimentos no Piauí.  Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública 

Pouco foco na responsabilização e reeducação de agressores

Um dos dados que mais chama atenção é o encaminhamento de agressores. No Brasil, há registros de encaminhamento para:

  • Grupos de reflexão e reeducação

  • Assistência social

  • Atendimento psicológico ou psiquiátrico

No Piauí, no entanto, apenas 1 registro de encaminhamento para assistência social aparece nos dados. Não há registros de participação em grupos reflexivos ou atendimento psicológico para agressores — estratégias apontadas por especialistas como fundamentais para romper ciclos de violência.

Avanços institucionais, desafios estruturais

Os dados mostram que o Brasil avançou na criação de estruturas especializadas, mas ainda enfrenta desafios na capilaridade, funcionamento contínuo e integração com políticas de saúde e assistência social. No caso do Piauí, a combinação entre poucas unidades, atendimento limitado e baixo investimento em ações complementares evidencia a necessidade de expansão e fortalecimento da rede de proteção.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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